É um dado consistente no mundo, e seguramente no Brasil também, que o período de maior risco para o uso de álcool e drogas é a adolescência. Sabe-se, por exemplo, que quanto mais cedo se inicia o uso de substâncias, maior o risco de uma pessoa se tornar dependente ou de desenvolver algum transtorno mental mais tarde na vida, seja afetivo ou cognitivo.

Esse conhecimento, no entanto, tem pouco valor para modificar o comportamento do próprio adolescente. Um importante motivo para a baixa influência da informação no comportamento do adolescente é a instabilidade psicológica característica deste período da vida.

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O universo mental do adolescente é recheado de variações emocionais, de incertezas sobre a própria identidade e de baixa capacidade de reconhecer as próprias emoções. Essa atmosfera de indeterminação favorece o uso de álcool e drogas, pois estas substâncias de certo modo se encaixam com facilidade no modo como essa faixa etária vive o próprio mundo interior.

Em suma, é muito importante que os pais saibam que o uso de álcool e drogas na adolescência brota de necessidades e estilos psicológicos próprios da idade e que não necessariamente se relacionam com problemas psicológicos.

Dr. Guilherme Messas é psiquiatra especialista em Álcool e Drogas, é Professor e Coordenador do Programa de Duplo Diagnóstico em Álcool e Outras Drogas da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Nota publicada originalmente no portal O Debate.

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